domingo, 6 de setembro de 2020

Comecei a produzir própolis.

 Estou a diversificar os produtos que extraio das minhas colmeias. Comecei a produzir própolis.

Já lá vão alguns anos em que decidi não voltar a colocar as alças em cima das colmeias, depois da cresta de final de primavera. O que recolhia de mel não compensava a perda enxames para a varroa. E também nunca consegui encontrar solução aceitável para ter as alças à espera que a cura da varroa fizesse o seu trabalho, sem que as alças se enchessem de traça e sem que a florada do cardo chegasse a meio. O dilema foi sempre o de colocar ou não as alças a partir de meados de julho e aproveitar toda a época do cardo vindima, ou tratar contra a varroa e não perder enxames. Nos últimos anos decidi pelo tratamento. Para além disso o mel do cardo cristaliza muito cedo e se vendido a frasco a particulares, trazia sempre algumas desconfianças e nunca me livrei de alguns comentários do tipo: "aquilo parecia mesmo açúcar. Acabámos por deitar fora". Muitas pessoas não sabem que o mel puro, dependendo da flora da qual é feito, pode cristalizar.

O resultado desta prática ao longo dos anos fez-me perceber, que as abelhas estão muito tempo sem produzir nada para quem lhe dá casa e conforto no inverno. Das várias opções possíveis, aquela que me permite conciliar a vida particular com a apicultura é a produção de própolis.

Para iniciar adquiri 15 grelhas e instalei-as na semana passada. Esta semana fui verificar se já tinham feito algum própolis. Tal como mel, também já verifiquei que há abelhas que produzem muito mais que outras.

Ficam algumas imagens.


Colmeia com grelha de recolha de própolis.

Grelha de recolha de propolis. Vista de pormenor.

Ao fim de uma semana como se pode verificar as melhores produtoras têm a grelha praticamente preenchida de própolis.

Colmeia com grelha de recolha de própolis. Outra.

Como se pode verificar esta colmeia, numa semana não produziu praticamente nada.

No futuro vou ter de verificar como aumentar a produção. Alguns companheiros de apicultura dizem-me que se deixar entrar alguma claridade elas produzem muito mais.
Vamos avaliar ao longo do tempo.

Por hoje é tudo.
Obrigado por consultar o meu blog e volte sempre. 


terça-feira, 30 de junho de 2020

Cresta 2020

A cresta de 2020 já leva dois fins de semana. Os procedimentos são os habituais: levantar cedo (~4:30), tomar o pequeno almoço (regra - nunca sair de casa sem tomar o pequeno almoço; é preciso zelar pela saúde), carregar o carro com alças vazias, saca-quadros, macacão, botas, garrafa de água, uma peça de fruta, bomba de pé, não vá a roda do carro de mão estar vazia.

Chegado ao apiário é começar numa ponta e uma a uma, ir retirando alças das colmeias e enchendo o carro. 

Em termos de quantidade de mel, 2020 é um ano muito bom. As alças estão completamente cheias.
Deixo-vos imagens de uma colmeia já anteriormente evidenciada na mensagem anterior, quando a carreguei com a 3ª alça. Agora estava assim:



 Como se pode ver as meias-alças de com 8 quadros estavam completamente cheias de mel.
O mês de maio veio a jeito e houve uma grande abundância de rosmaninho e cardos. Já no mês de junho, houve como nunca tinha visto, alcachofras.
De salientar que a grande quantidade de mel crestado, também se deve à genética de grande parte das abelhas que possuo. Têm alguma agressividade mas por outro lado têm uma grande capacidade de armazenar mel.

E pronto por hoje é tudo.
Espero que goste e volte sempre. 

domingo, 10 de maio de 2020

Por agora já chega de chuva

    O tempo voa e já lá vão quase 2 anos desde a última mensagem no blog. Muito haveria para dizer, mas antes de tudo mais, quero agradecer a todos os apicultores, que durante o mês de março fizeram a dança da chuva. Resultou. Quando se pensava que iríamos ter mais um ano sem primavera, passando directamente  de uma espécie de inverno, para um longo período de verão, eis que as danças realizadas em março produziram efeito e abril veio a jeito: chuvoso e com temperaturas normais para a primavera. 
Começo agora a verificar que houve pessoal a exagerar nas danças e a chuva não pára. É preciso reverter o processo. Já chega de chuva. Agora precisamos de sol e temperaturas entre os 25 e os 30ºC e já agora com humidade durante a noite e dias sem vento.
     No que toca à apicultura propriamente dita, digno de registo é a recuperação total do efectivo. Quer desdobramentos, quer enxames apanhados, pequenos e grandes, vinga tudo. Os desdobramentos do início de março já estão com uma meia alça em cima e a puxar ceras.
Deixo-vos as imagens do apiário de Vendas Novas.
Uma parte do apiário de Vendas Novas



Outra parte do apiário de Vendas Novas
Muito trabalho para conseguir ter novamente o apiário com todo o efectivo.

Como se pode verificar os campos estão maravilhosos. É um jardim forrado a várias cores: amarelo dos dentes de leão, azul da soagem, rosa dos cardos pintassilgo. Até o rosmaninho ainda está com vigor e vem aí uma segunda vaga de flor.

Campo de soagem

Abelha a trabalhar na soagem
Nas colmeias tem sido um sobe e desce. Nas semanas mais secas e quentes aumentam. Logo a seguir diminuem e comem o que armazenaram devido à chuva e tempo frio.
Entre o sobe e desce tenho algumas que se vão aguentando e já vão na 3ª meia alça.
Colmeia a precisar de 3ª meia alça


Colmeia já com a 3ª meia alça

Gosto particularmente desta colmeia. As abelhas são de génese trabalhadora e vencedora. Depois é a alternância entre o verde e o branco das madeiras. Fica bem.

E pronto por hoje é tudo.
Espero não demorar tanto tempo sem escrever no blog.
Se gostou volte sempre.

Obrigado.



sábado, 30 de junho de 2018

Cresta 2018 - 1º dia

    Iniciei ontem, dia 29 de junho, a cresta de 2018. As colmeias estão excelentes. Há mel e abelhas por todo o lado. O apiário de Vendas Novas este ano beneficiou de 3 grandes floradas: a primeira foi a de rosmaninho no mês de abril, depois veio a soagem, na primeira parte de maio e por fim uma enorme florada de cardo pintassilgo entre o final de maio e meados de junho. Em contraste com 2017, ano em que o mel foi muito pouco, 2018 está no lado oposto: muito mel e de excelente qualidade.
Ficam as primeiras imagens da cresta e de como estão as colmeias.

Este foi o cenário com que deparei quando levantei a primeira contra tampa. 

1ª colmeia a ser crestada em 2018


1 quadro de meia alça particularmente cheio de mel

Depois de retirados os quadros verifica-se que há muita abelha nas colmeias

Mais um quadro particularmente cheio.

A 2ª colmeia estava idêntica

Depois de retiradas as meias alça as abelhas não cabem na colmeia

Vista de uma parte do apiário de Vendas Novas.
Este ano, porque as colmeias estão cheias de abelhas, com muito mel e saudáveis, vou experimentar a fazer alguns desdobramentos para ocupar alguns núcleos que ficaram vazios.

E pronto por hoje é tudo. A cresta segue nos próximos fins de semana. Muito trabalho pela frente.
Espere que goste e volte sempre.
Obrigado.


domingo, 11 de março de 2018

Março marçagão manhã de inverno tarde de verão.

   Depois de mais um fevereiro seco, eis São Pedro a oferecer-nos um março a fazer jus a todos os provérbios e mais algum: março marçagão manhã de inverno tarde de verão; março chove cada dia seu pedaço, ... E assim, em três semanas de chuva, está reposta a normalidade. A norte as noticias são de que as barragens estão nas cotas máximas ou perto disso; em breve vão começar a descarregar. A sul o panorama não é tão animador, mas qualquer barragem que tenha uma ribeira a correr lá para dentro, tem aumentado a cota a olhos vistos. Mais uma semana como as duas que passaram e a sul também fica tudo cheiro.
     Falando de apicultura e em particular do apiário de Vendas Novas, os salgueiros deixaram a sua marca nas colmeias: estão cheias de abelhas e criação. Cada hora de sol é aproveitada ao máximo para carregar polén e néctar para a colmeia.
      Este ano, ao contrário de muitos outros, em que as abelhas por ali sofrem após a quebra dos salgueiros, devido à falta de flora até à chegada do rosmaninho, este ano, devido às chuvadas tardias, os campos estão agora cheios de saramagos amarelos, uma fonte de polén. Ficam as imagens.

Campo cheio de saramago amarelo.

Campo com saramago amarelo (outro)
Com esta abundância as colmeias estão já a pedir alças. Assim que o tempo permita, vou começar a carrega-las com alças.
Ficam imagens da azáfama na entrada das colmeias.



Pelos campos ouve-se água a correr por todo o lado, os campos estão verdejantes e parece que vamos ter um bom ano apícola.
Ficam imagens de um pequeno açude a encher.
Pequeno açude onde o gado vai beber

Água corrente

Água corrente (outra)

Água corrente (outra)
E pronto por hoje é tudo.
Espero que goste e que volte sempre.


domingo, 27 de agosto de 2017

Beewatching - lá vai mais uma carregada

   O calor tem sido intenso. A humidade, mesmo durante a noite, tem sido baixa. Estas condições fazem com que as poucas plantas com interesse apícola disponíveis, tenham muito pouco para dar. 
   Com tanta escassez de alimento e a varroa sob controlo, os trabalhos na minha apicultura reduzem-se à comercialização de alguns frascos de mel (há muitas pessoas com curiosidade em provar o melhor mel do mundo) e ao "Beewatching". Por certo nestes dias, são muitos os apaixonados pelas abelhas, que ao chegarem ao apiário pela manhã, se põe a observar a entrada das abelhas nas colmeias e a interiorizar para si mesmos - lá vai mais uma carregada de pólen; andam a trabalhar no cardo. É o que faço nestes dias quando chego aos meus apiários. 
   Se aqueles que observam aves, designam essa actividade por Birdwatching, também os apicultores e apaixonados pelas abelhas podem chamar, aos longos períodos que passam a ver a entrada de abelhas nas colmeias, Beewatching. 

É desta observação que vos falo.

Abelha a entrar na colmeia carregada de polen


Abelhas a entrar para o cortiço carregadas de polen.
Também nos campos podemos praticar Beewatching, avaliar as abelhas na recolha de pólen e néctar.
Segue-se uma imagem de uma abelha a trabalhar no cardo douradinho.
Abelha a trabalhar no cardo douradinho
O cardo douradinho floresce quase em simultâneo com o cardo vindima ou asnil mas aparece em muito menor quantidade. Já estive à conversa com vários apicultores que me disseram que este cardo dá origem a um mel saborosíssimo. 
Diferença entre o cardo douradinho e o cardo vindima ou asnil.
Cardo douradinho


Cardo vindima ou asnil
   Pela qualidade e procura que tenho tido do mel que as minhas abelhas do apiário de Vendas Novas produzem, decidi fazer naquela região mais um apiário para 10 a 12 colmeias. O local é magnífico e tem tudo para ser um bom apiário. Tenho somente receio dos texugos. O local é ermo e há texugos por ali. Quando a fome aperta ele atiram-se a tudo. Estou a fazer um teste com 3 núcleos. Se resistirem até fevereiro /2018 vou povoar até ficar completo; caso contrário é ideia para abandonar.
Ficam as imagens do local.
Local onde estou a instalar novo apiário de Vendas Novas

Local onde estou a instalar novo apiário de Vendas Novas (outra)

Novo apiário de Vendas Novas em construção


Novo apiário de Vendas Novas com dois núcleos.

Núcleo no novo apiário de Vendas Novas. Está metido no
meio das estevas para avaliar comportamento dos texugos.
   Saindo um pouco ao lado da apicultura, registei na zona das Caldas da Rainha como estão os pomares de maçã e pêra. Parece estar tudo extraordinário. É impressionante como árvores tão pequenas carregam com tanta fruta.  Ficam algumas imagens.
Pomar de maçãs

Macieira carregada de maçãs Royal Gala.

Macieira carregada de maçãs (outra)

Pernada de macieira carregada de maçãs Royal Gala.

Macieira carregada de maçãs (outra).
Até apetece apanhar e comer. Há que fazer pela saúde: segundo os ingleses "An appel a day keeps the doctor away" (traduzindo - uma maçã por dia mantém os médicos longe da nossa porta - isto é: mantém-nos saudáveis). Para além disso o consumo de maçã nacional também ajuda os nossos produtores e escoar as toneladas e toneladas de maçã e pêra que se produzem naquela região.

E pronto por hoje é tudo. Espero que goste e volte sempre.

Obrigado.

sábado, 1 de julho de 2017

Cresta 2017 - temos que ter esperança num bom 2018

    Fiz no passado fim de semana de 24 e 25 de junho, a cresta de 2017 do apiário de Vendas Novas. Acabou por não ser uma desilusão porque desde o final de abril que sabia o que me esperava. Ainda tivemos no ínicio de maio 3 dias de chuva que animaram o cardo pintassilgo mas não foram suficientes para alterar o mal que vinha de trás. O rosmaninho no final da 2ª semana de abril começou a enfraquecer, a soagem nem sequer teve força para florir; apenas algumas plantas dispersas. O mel que acabei por tirar é o resultado de uma breve floração do cardo pintassilgo.

     Relativamente a enxames também 2017 é um ano para esquecer: saíram poucos e pequenos. Isto para mim não é nada bom, em especial porque no apiário de Vendas Novas não houve renovação de mestras. Já sei que algumas colmeias com mestras mais velhas não se vão aguentar durante o inverno.

      Não vou falar da varroa porque a apicultura para mim é suposto ser um passa tempo divertido.

Ficam as imagens de uma cresta que, pesando todos os pratos da balança, tenho de a considerar positiva: não tive nenhum acidente, o mel mais uma vez é de grande qualidade e reuni toda a família à volta do mesmo tema, em especial o meu filho que durante um fim de semana quase não tocou nos jogos de computador. 

A melhor colmeia de 2017. Este era o aspeto geral daquela que foi
a colmeia com mais mel.

A melhor colmeia de 2017. Pormenor.

As colmeias ditas normais tinham o aspeto seguinte: pouco mel e poucas abelhas.

Colmeia normal de 2017. Pouco mel e poucas abelhas.
Imagem de pormenor.

Em muitas colmeias os quadros com ceras novas que coloquei ficaram com a cera quase puxada e sem mel.
Quadro com cera por puxar.
Mais uma vez se provou que a sul do Tejo, é o mês de abril a chave do ano apícola.
Na minha memória fica um mês de abril em que não caiu uma gota de água.
Na minha memória fica também 2017 como o segundo pior ano em termos de quantidade de mel.

Na minha memória está também o período de seca entre 2004 e 2005: choveu no dia 4 de outubro de 2004 e só voltou a chover no dia 9 de abril de 2005. Nesse ano de 2005 tirei cerca de 50Kg de mel. Foi o pior ano de sempre.

Mas também está na minha memória que em 2006, o celebre ano em que nevou por todo o país no dia 29 de janeiro de 2006, foi um dos melhores anos de sempre. 

Depois de um mau 2005 veio um 2006 excelente, fica a esperança que 2018 seja um ano excelente.

Sem mais. Volte sempre.

Joaquim Santos

sábado, 5 de novembro de 2016

Limonada de frutos vermelhos com mel

    A minha esposa surpreendeu-me recentemente com mais uma extraordinária aplicação para o mel: uma deliciosa limonada de frutos vermelhos. É fácil fazer, é económica, bastante saudável e uma excelente forma de evitar o consumo de refrigerantes.
Fica aqui a receita e o modo de a fazer.


INGREDIENTES (para ~1,5 litros de limonada):

->  1 limão grande;
-> 125 g de frutos vermelhos congelados;
-> Mel de flores silvestres q.b.;
-> Água (1,5 litros);
-> 1 folha de hortelã.

 Comece por espremer o limão para dentro de um jarro. Retire todos os caroços que possam ter caído. 


Depois adicione os frutos vermelhos ao sumo do limão. 


Esmague os frutos vermelhos grosseiramente ou triture-os com uma varinha mágica.


Adicionar a gosto o melhor Mel do mundo... o produzido pelas minhas abelhas.


Adicionar água fresca ou natural, conforme o gosto e mexer bem para dissolver o mel.


Por último decorar com hortelã.

E pronto já está. Agora é só beber.

No verão pode-se juntar uma pedras de gelo.

Na minha casa acompanha muitas refeições.

Desta vez, esta mensagem foi feita com a participação de toda a família. Espero que experimentem e que gostem. 
Se não gostarem, já sabem... estão a utilizar o mel errado.

Por hoje é tudo e volte sempre.