sábado, 1 de julho de 2017

Cresta 2017 - temos que ter esperança num bom 2018

    Fiz no passado fim de semana de 24 e 25 de junho, a cresta de 2017 do apiário de Vendas Novas. Acabou por não ser uma desilusão porque desde o final de abril que sabia o que me esperava. Ainda tivemos no ínicio de maio 3 dias de chuva que animaram o cardo pintassilgo mas não foram suficientes para alterar o mal que vinha de trás. O rosmaninho no final da 2ª semana de abril começou a enfraquecer, a soagem nem sequer teve força para florir; apenas algumas plantas dispersas. O mel que acabei por tirar é o resultado de uma breve floração do cardo pintassilgo.

     Relativamente a enxames também 2017 é um ano para esquecer: saíram poucos e pequenos. Isto para mim não é nada bom, em especial porque no apiário de Vendas Novas não houve renovação de mestras. Já sei que algumas colmeias com mestras mais velhas não se vão aguentar durante o inverno.

      Não vou falar da varroa porque a apicultura para mim é suposto ser um passa tempo divertido.

Ficam as imagens de uma cresta que, pesando todos os pratos da balança, tenho de a considerar positiva: não tive nenhum acidente, o mel mais uma vez é de grande qualidade e reuni toda a família à volta do mesmo tema, em especial o meu filho que durante um fim de semana quase não tocou nos jogos de computador. 

A melhor colmeia de 2017. Este era o aspeto geral daquela que foi
a colmeia com mais mel.

A melhor colmeia de 2017. Pormenor.

As colmeias ditas normais tinham o aspeto seguinte: pouco mel e poucas abelhas.

Colmeia normal de 2017. Pouco mel e poucas abelhas.
Imagem de pormenor.

Em muitas colmeias os quadros com ceras novas que coloquei ficaram com a cera quase puxada e sem mel.
Quadro com cera por puxar.
Mais uma vez se provou que a sul do Tejo, é o mês de abril a chave do ano apícola.
Na minha memória fica um mês de abril em que não caiu uma gota de água.
Na minha memória fica também 2017 como o segundo pior ano em termos de quantidade de mel.

Na minha memória está também o período de seca entre 2004 e 2005: choveu no dia 4 de outubro de 2004 e só voltou a chover no dia 9 de abril de 2005. Nesse ano de 2005 tirei cerca de 50Kg de mel. Foi o pior ano de sempre.

Mas também está na minha memória que em 2006, o celebre ano em que nevou por todo o país no dia 29 de janeiro de 2006, foi um dos melhores anos de sempre. 

Depois de um mau 2005 veio um 2006 excelente, fica a esperança que 2018 seja um ano excelente.

Sem mais. Volte sempre.

Joaquim Santos

sábado, 5 de novembro de 2016

Limonada de frutos vermelhos com mel

    A minha esposa surpreendeu-me recentemente com mais uma extraordinária aplicação para o mel: uma deliciosa limonada de frutos vermelhos. É fácil fazer, é económica, bastante saudável e uma excelente forma de evitar o consumo de refrigerantes.
Fica aqui a receita e o modo de a fazer.


INGREDIENTES (para ~1,5 litros de limonada):

->  1 limão grande;
-> 125 g de frutos vermelhos congelados;
-> Mel de flores silvestres q.b.;
-> Água (1,5 litros);
-> 1 folha de hortelã.

 Comece por espremer o limão para dentro de um jarro. Retire todos os caroços que possam ter caído. 


Depois adicione os frutos vermelhos ao sumo do limão. 


Esmague os frutos vermelhos grosseiramente ou triture-os com uma varinha mágica.


Adicionar a gosto o melhor Mel do mundo... o produzido pelas minhas abelhas.


Adicionar água fresca ou natural, conforme o gosto e mexer bem para dissolver o mel.


Por último decorar com hortelã.

E pronto já está. Agora é só beber.

No verão pode-se juntar uma pedras de gelo.

Na minha casa acompanha muitas refeições.

Desta vez, esta mensagem foi feita com a participação de toda a família. Espero que experimentem e que gostem. 
Se não gostarem, já sabem... estão a utilizar o mel errado.

Por hoje é tudo e volte sempre.







domingo, 3 de julho de 2016

Cresta 2016 - Quantidade e qualidade

      Estou em plena cresta de final de primavera deste ano de 2016. 
É um ano extraordinário ao nível de quantidade e de qualidade. O mês de maio que me trouxe alguns problemas ao nível de fecundação de rainhas, devido à chuva intensa nas duas primeiras semanas do mês, foi excelente para encher os campos de rosmaninho, soagem, cardos pintassílgo e um sem número de outras flores silvestres. O resultado desta abundância vê-se agora nas colmeias. As alças estão cheias de mel e de abelhas. O mel é de cor clara e tem um sabor espetacular. É por isto que eu, em tom de brincadeira, lá vou dizendo que o mel das minhas abelhas do apiário de Vendas Novas é o melhor do mundo. A brincar a brincar dizem-se grandes verdades...
Ficam as imagens do que tem sido a cresta este ano.

1ª colmeia ser crestada em 2016
1ª colmeia cestada em 2016 - grande plano

1ª colmeia crestada em 2016 - depois de retirada a 1ª alça
havia abelhas por todo o lado.
A 2ª colmeia a ser crestada em 2016
A 3ª colmeia a ser crestada em 2016
Depois de retirados os quadros da 1ª alça havia abelhas por todo
o lado.

Uma colmeia especialmente cheia de mel


Mais uma colmeia colmeia cheia de mel

Ao 2º dia de cresta o cenário não muda. Todas as colmeias
estão cheias de mel.

Um quadro especialmente cheio de mel.

Mais uma alça com os quadros completamente cheios de mel.
E tem sido assim toda a cresta. Ainda não abri uma colmeia que não estivesse cheia de mel.
Como dá para perceber há mel em quantidade e com muita qualidade.

Noutras paragens, a apicultura, pelo menos em termos de posicionamento das colmeias, faz-se de uma forma diferente. Numa visita recente à Roménia, vi alguns apiários junto de acácias mas todas as colmeias estavam num reboque. Vi vários apiários, todos assim. Ficam as imagens de um apiário na Roménia a cerca  de 100 Km para norte de Bucareste.
Este apiário não distava mais de 50m da estrada. Havia muita abelha a atravessar a estrada fora da passadeira... uma zona de atropelamentos.

Pronto e é assim que está a decorrer a cresta de 2016.
Se tiver curiosidade em provar o melhor mel do mundo, diga qualquer coisa.

Pronto por hoje é tudo. Espero que goste e volte sempre.
Obrigado.
  

domingo, 31 de janeiro de 2016

2016 arranca de forma promissora.

   2016 está a arrancar de forma promissora; o pouco frio que tem feito, aliado a chuva regular, fez com que os campos estejam cobertos de flores. A gozar desta abundância continuam as abelhas e muitas são as colmeias que por esta altura, têm os 10 quadros do ninho completamente cobertos de abelhas. Quando se abre uma colmeia  há abelhas por todo o lado e mesmo a contra tampa está repleta delas. Fica a imagem de uma colmeia:
Colmeia com os 10 quadros do ninho ocupados por abelhas.
Relativamente à flora, para ajudar à festa da erva azeda, dos saramagos, dos tojos e muitas outras, também os salgueiros começaram a ajudar; este ano cerca de uma semana mais cedo do que é habitual. Ficam as imagens do salgueiro já em flor.
Salgueiro em flor (31 Jan 2016)

Flor de salgueiro.
Por agora tudo corre sobre rodas. Pode ser que 2016 seja um ano excelente ao nível de enxames e mel.
Por hoje é tudo. Volte sempre.

domingo, 29 de novembro de 2015

2015 - um ano, duas primaveras.

    Não quero dar o braço a torcer sobre as alterações climáticas e em conversas lá vou dizendo que as estevas e o rosmaninho continuam a florir em abril, mas é evidente que o clima está diferente e nem é preciso recuar muito para verificar essa diferença. Lembro-me que à 35 anos atrás, durante o mês de novembro e dezembro, quando ia de manhã para a escola, era quase sempre de guarda chuva em punho. Este ano a sul do Tejo, desde outubro que não vemos uma nuvem no céu e segundo o IPMA até ao Natal também não vamos ver. As temperaturas aqui em Setúbal estão a chegar ao patamar entre os 20ºC e os 25ºC; dá para andar em mangas de camisa sem qualquer problema. Ora o que é isto senão uma primavera? (infelizmente seca).
   A verificação foi feita hoje. Dando sequência a uma prática que tenho adotado nos últimos anos, aproveitando a redução de cria nas colmeias no mês de dezembro, tenho feito uma cura contra contra a varroa. Normalmente encontro os enxames com pouca atividade, em cacho e um, dois, no máximo três quadros com criação. Hoje ao curar as colmeias do Alentejo, para minha surpresa encontrei os enxames a armazenar nectar, a puxar cera, colmeias com oito quadros de criação, muitos zangãos e muita criação de zangão e no final da manhã o frenesim era igual ao que se vive na primavera. Os campos estão floridos, a gozar da chuva que caiu em outubro. Ficam algumas imagens:

Apiário de Vendas Novas - colmeias com a entrada repleta de
abelhas ao final da manhã de 29 Nov 2015.

Cortiço com exame a trabalhar com afinco.

Cortiço com grande azáfama de abelhas na entrada
Entrada de cortiço - abelhas a chegar carregadas de polen.
    Aqui em Setúbal, o panorama é idêntico. A Serra da Arrábida está toda coberta de alecrim e medronheiros em flor. Os enxames estão desenvolver rapidamente. Ficam imagens de abelhas a trabalhar no alecrim e nos medronheiros.
Alecrim em flor.


Abelha a recolher néctar do alecrim em flor.

Alecrim em flor na Serra da Arrábida.


Abelha a trabalhar no alecrim.
Medronheiro em flor na Serra da Arrábida.

Medronheiro em flor - Serra da Arrábida.
Por agora as colmeias estão extremamente fortes e a prosperar, com esta primavera de novembro. Vamos a ver se não pagamos isto com a morte de muitos enxames por falta de reservas. É que a falta de chuva pode causar a falta de néctar e pólen, mas as colmeias estão cheias de criação que pede muito alimento. Vamos ver. Esperemos que São Pedro nos traga alguma chuva em dezembro; afinal o pessoal de meteorologia engana-se muita vez.
Obrigado e volte sempre. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Maio pecador: seco, quente e ventoso.

     Em termos apícolas 2015 está mesmo a terminar, só me falta fazer uma última inspecção para avaliar como estão os enxames em termos de varroa e derreter a cera da cresta e dos quadros velhos. 
       Para a minha apicultura está a ser um ano extremos: por um lado foi excelente em termos de produção e apanha de enxames; não houve colmeia nem núcleo que com um mínimo cheiro a própolis que não tivesse apanhado um enxame. Como aspecto negativo, tenho a salientar a fraca produção de mel, que por ser tão fraca originou um outro extremo positivo: o preço do mel. Este ano vendeu-se mel a granel a preços que à dois, três anos atrás, eram impensáveis.

      A cresta de 2015, apesar de ter 50 colmeias para produção de mel, foi uma das menos trabalhosas de que me lembro. A maior parte das alças só tinha cera seca e em muitos quadros novos nem lhe tocaram. As razões resumem-se numa só frase: maio teve os 3 pecados para a apicultura, foi seco, quente e ventoso. Logo na primeira semana de maio foram atingidas temperaturas na casa dos 34ºC. Foi o suficiente para que as abelhas parassem com a recolha de néctar e não mais regressaram ao trabalho. Terminou ali a produção de mel.
Ficam as imagens do apiário de Vendas Novas.


Apiário de Vendas Novas antes da cresta.

Apiário de Vendas Novas - vista de pormenor.


A melhor alça de 2015

A melhor alça de 2015 - vista de pormenor.

Apiário de Vendas Novas depois da cresta de 2015.
Deixo agora algumas imagens que fui registando ao longo do ano.

Em primeiro lugar ficam várias imagens de abelhas nas flores de tília. São imagens colhidas em agosto na avenida Luísa Tody, no centro de Setúbal.
Abelhas nas flores de tília.
Muitas abelhas nas flores de tília.

Pormenor de uma abelha a recolher néctar numa flor de tília.

Em segundo lugar apresento algumas imagens da Zimbramel.
Zimbramel vista geral
Zimbramel - o que por ali se vende
Zimbramel - o que por ali se vende
Zimbramel- stand a publicitar alimento de inverno
Zimbramel - publicidade a uma exploração de figos de pita

Zimbramel - venda de figos de pita.

Zimbramel - figos de pita para prova
Por último mais duas imagens colhidas na Zimbramel, no stand da Apiset, que deixam qualquer apicultor "roído de inveja". Perante estas imagens ponho-me a pensar da seguinte forma:
- isto é só para a foto... Hum!!!?? isto dá trabalho. Não compensa, por isso deve mesmo ser verdade.
- isto são abelhas de outra raça qualquer que desconheço. Mas à 30 anos com abelhas, nunca apanhei um enxame com estas características. Tenho tido azar ou se calhar não é das abelhas.
- é do maneio. Mas eu já tenho tido colmeias com criação nos 10 quadros do ninho, na 1ª e na 2ª alça e ás vezes na 3ª e nunca tive de continuar a pôr alças; ou enxameiam, ou pára o fluxo de néctar ou o calor aperta e elas param.
- é do sítio do apiário. Para conseguir isto tem de haver néctar a entrar todo a primavera, de março  a junho.
Em resumo, acabo por concluir que não tenho tempo para andar todas as semanas a vigiar as colmeias para evitar que enxameiem e que desconheço um local onde haja tanta abundância de nectár. Por último para me convencer, em jeito de fábula, digo para mim mesmo - o mel desta colmeias é amargo, ninguém o quer.

O sonho de qualquer apicultor no planeta Terra.

O sonho de todos os apicultores no planeta Terra - outra miragem
E pronto por hoje é tudo. Espero que goste e que volte sempre.
Gostaria ainda de deixar um desafio sobre as duas últimas imagens, que não é mais do que saber, o que é que para vós é mais importante para obter colmeias com 8 alças.
Obrigado.