domingo, 24 de março de 2013

Neste inverno chuvoso é preciso alimentar as abelhas

   Tenho este passatempo da apicultura à quase 30 anos e não me lembro de alguma vez ter tido necessidade de alimentar as abelhas durante o inverno para evitar que morram de fome. Na cresta nunca retiro mel do ninho; o mel que lá tiverem é todo para as abelhas se governarem durante o inverno. Com este procedimento sempre pensei estar a salvo de ter de alimentar as abelhas durante o inverno. Pois este ano a conjuntura pregou-me uma partida e tive mesmo de alimentar as abelhas do apiário de Vendas Novas para evitar que morram alguns enxames com fome. O apiário situa-se num local que é traiçoeiro para as abelhas nesta altura do ano: existem por ali muitos salgueiros que floresceram no início de fevereiro, as abelhas com essa abundância, arrancaram e encheram os ninhos de criação, mas depois não houve continuidade na floração e como tem chovido bastante e feito frio, as abelhas têm estado a comer as reservas que tinham na colmeia. O resultado são enxames a enfraquecer e muitas abelhas a morrer de fome.
   Como fui apanhado de surpresa, não tinha nada preparado para alimentar as abelhas; tive de improvisar. Vamos ver qual o resultado.
   Alimentei as abelhas com um mel escuro que tinha tirado à alguns anos e que se ia gastando em bolos ... Falei com algum apicultores que me aconselharam a alimentar as abelhas ao entardecer para evitar a pilhagem. Com o cair da noite as abelhas recolhem, a pilhagem termina e dá tempo para que as abelhas recolham o mel que coloquei nas colmeias.
   Utilizei como alimentador um saco de plástico e coloquei por cima dos quadros como mostro na imagem.

Saco de plástico com mel a servir de alimentador
Com este método tenho receio de pilhagens, de que muitas abelhas morram afogadas no mel, etc...
Coloquei também junto às colmeias alguns favos de mel cristalizado.
Mel em favo cristalizado
As abelhas lá continuaram na sua vida  e espero que passem esta noite com a barriga mais cheia.

Entrada de abelhas numa colmeia alimentada já ao cair da noite
Os campos em redor do apiário até estão bem compostos de flores, só que é tremocilha ... penso que as abelhas não retiram nada desta planta.


Campo de tremocilha em flor.
E assim está a ser 2013: frio, chuvoso, as  abelhas sem reservas e com pouca flor de onde possam extrair alimento.
 
   Quanto a enxames está tudo parado. Ainda não fiz nenhum desdobramento nem apanhei qualquer enxame. Tenho falado com outros apicultores que me dizem que está tudo parado relativamente à enxameação.
 
Por hoje é tudo.
Obrigado.



domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cera moldada para 2013

   Hoje comecei a preparação do ano apícola 2013; comprei 35Kg de cera moldada.
   Fui a Grândola participar numa prova de atletismo, 11º grande prémio José Afonso, na extensão de 10Km e aproveitei para comprar cera moldada para este ano.
   No ano passado em finais de maio, em visita a um apicultor de Santa Susana, deparei com uma cera que me pareceu de muito boa qualidade: bastante macia, bom aroma, cor natural e com alvéolos bem definidos. Esse companheiro disse-me então, que a cera era de um senhor que a moldava em Grândola e que ele só utilizava ceras dessas. Lembro-me perfeitamente de uma expressão que utilizou para descrever a bondade da cera enquanto fixava cera em quadros de meia alça "... as abelhas até choram por isto ...". Explicou-me como era o negócio: levamos os nossos blocos de cera e trazemos a cera moldada mediante o pagamento de uma quantia por cada quilo. Hoje aproveitei a deslocação a Grândola, levei a cera que tinha e trouxe 30Kg de cera reversível mais 5Kg para meias alças.
   Aproveitei para tomar contato com o processo de moldagem (artesanal) com o qual se faz uma cera de muito boa qualidade.
 
Placas de cera prontas para moldagem
 
Máquina de moldagem
 


Tiras de cera moldada antes do corte nas várias medidas
 No regresso a casa ainda parei numa zona onde os salgueiros são abundantes. Como fez sol o dia inteiro e porque os salgueiros já estão em flor, as abelhas eram mais que muitas na recolha de pólen. Ficam as imagens:

Salgueiro em flor

Salgueiro em flor

Salgueiro em flor

Salgueiro em flor
Com os dias a crescer, os salgueiros em flor e a chegada das primeiras andorinhas, não tarda nada temos aí a primavera e com ela a época da enxameação.
 
Obrigado por consultar o meu blogue e volte sempre.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Aproveitar cera para equilibrar as contas

   O dia hoje, amanheceu como eu gosto: fresco, com nevoeiro, sem vento mas a deixar antever que lá para o final da manhã, o sol iria brilhar. Nestes dias gosto de praticar atletismo, ouvir a água a correr nas ribeiras e regatos... contatar a natureza de um modo geral. Gosto também de me aplicar em tarefas que começem e terminem no mesmo dia e que sei que as tenho que realizar. Gosto de chegar ao fim do dia e dizer: já está; agora só para o ano que vem.
   Hoje foi dia de derreter cera. Aproveitei algum tempo livre, neste curto período de férias de Natal e enquanto a minha esposa ocupou o dia com os fritos da época, eu tirei o dia para derreter cera e escaldar quadros. A cera que aproveito ajuda a equilibrar as contas da apicultura. Normalmente vendo a cera e depois compro cera moldada a 7,50 - 8,50 €/Kg. Este ano vou fazer diferente: entrego a cera e pago a moldagem. O preço da moldagem anda por volta de 2,50 €/Kg.
   Utilizo o método mais tradicional: uma panela de alumínio de 56 L que comprei no OLX, água a ferver e a cera lá para dentro. Começo sempre pela cera proveniente da desoperculação dos quadros crestados. É a cera mais limpa e de melhor qualidade. Depois a cera dos quadros velhos.

Panela com água ao lume

 

Cera dos opérculos a derreter

Cera dos opérculos a derreter
 
Já com a cera derretida e fervida, passo-a para alguidares de plástico. Na altura de vazar a cera da panela para o alguidar, coloco uma rede por cima do alguidar por forma a reter alguma sujidade que a cera possa ter.
Cera fundida e coada em recipiente de plástico

Cera já solidificada dentro dos recipientes
 Passadas algumas horas a cera já está completamente solidificada. Retira-se do alguidar e o resultado final é este... um bloco de cera de abelha.
Bloco de cera de abelha
Como o dia estava quente depois do almoço ainda deu tempo para tirar umas fotos a outras tantas abelhas a trabalhar com afinco na flor de uma nespreira.
Abelha a recolher nectar e polen na flor da nespreira

Abelha a recolher nectar e polen na flor da nespreira
E pronto. Já está. Agora só para o ano que vem.
Obrigado por consultar o meu blogue.
 
 
    

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cresta de final de primavera 2012

    Este ano confirmou-se como um ano fraco. A chuva tardia e escassa deste inverno e primavera, acabou por fazer de 2012 um ano pobre relativamente à produção de mel. Para além de pouco, o mel este ano é bastante escuro. Pior que este 2012, só 2005, com um inverno e primavera extremamente secos, tendo resultado um ano paupérrimo quanto à produção de mel.

   Como é hábito os dias de cresta começam cedo, por forma a terminar antes do calor começar a apertar. Este ano poucas colmeias estavam boas, a maior parte apresentava os quadros das pontas secos e só nos centrais algum mel. Mesmo assim, algumas colmeias  ainda apresentaram quadros como deve ser.

Alça cheia de mel.
Quadro cheio de mel antes de ser retirado da alça.

Quadro cheio de mel a ser retirado da alça.


Já em casa a cresta continuou da forma habitual, com o envolvimento de toda a família e os quadros a serem desoperculados de forma tradicional, com o auxílio de facas.
Quadro cheio de mel operculado.

Retirar a camada de cera que cobre o mel nos favos.

Quadro parcialmente desoperculado.

Quadro parcialmente desoperculado.
No final da cresta consegui ficar com ~400Kg, que é manifestamente pouco, para quem tem cerca de 50 enxames em condições de produzir mel. No próximo ano vai ser melhor ...

Este ano decidi não voltar a colocar as alças nas colmeias para recolher algum mel do cardo vindima.  Este cardo é pouco e está fraco. Não vai dar grande coisa; mais vale tratar as colmeias contra a varroa para não perder tantos enxames como no ano passado. Por outro lado, durante a cresta também registei que não há muita varroa, posso afirmar que não vi nenhuma, mesmo abrindo alguns favos com criação de zangão. Pode ser que a varroa dê tréguas por um mês ou dois.

Por outro lado detetei abelhas a trabalhar com afinco em cardos, nos quias normalmente não pegam e até numa roseira apanhei uma abelha a trabalhar. Para mim foram dois sinais da escassez que se vive nos campos.
Abelha a trabalhar numa flor de cardo.

Abelha a trabalhar numaflor de cardo.

Abelha a trabalhar numa flor de cardo.

Abelha a trabalhar numa roseira.

Abelha a trabalhar numa roseira.

E pronto foi assim a cresta de 2012. Para o ano há mais.

Obrigado por consulta o meu blogue.
Volte sempre.






domingo, 13 de maio de 2012

O apiário de Vendas Novas está bem composto

   Afinal as chuvadas que caíram no início de maio, ainda vieram dar um certo ânimo a este no apicola e a coisa até se pode compôr no que toca à produção de mel. O Alentejo está todo florido, com a soagem e o romaninho a darem muito que fazer às abelhas. As alças estão a encher de mel destas duas plantas. Ficam as imagens:
Rosmaninho em flor

Rosmaninho em flor

Flores de rosmaninho

Campo de soagem em flor


Campo de soagem em flor

Com tanta flor assim as colmeias estão a ficar compostas. O apiário de Vendas Novas está carregado de alças e tem este aspeto:
Aspeto geral do apiário de Vendas Novas

Colmeias com alças para a produção de mel
As terras apresentam humidade suficiente para as plantas se aguentarem e para além disso, durante a noite tem-se formado orvalho, que garante também a continuação da floração durante este mês de maio.

Relativamente à criação de rainhas e no que toca à fecundação das mesmas, este ano não correu bem. Penso que devido ao tempo que fez em abril, com vários dias consecutivos de frio, chuva e vento, as rainhas acabaram por não encontrar o tempo ideal para o voo nupcial. Uma maior percentagem de núcleos acabaram por ficar "zanganeiros". Nalguns após constatar este fato, meti-lhe um quadro com larvas e um ou mais alvéolos de abelha mestra. Noutros coloquei-lhe logo uma ou duas rainhas já nascida.
Não sei se vou conseguir salvar algum núcleo já zanganeiro, mas temos que fazer experiências e praticar para podermos tirar as nossas conclusões.

Por hoje é tudo. 
Obrigado por consultar o meu blogue. 

domingo, 29 de abril de 2012

Criação de rainhas (parte 2)

   Tal como tinha afirmado no post intitulado "Criação de rainhas (parte 1)", se tudo corresse bem, cerca de 10 larvas transferidas seriam aceites e transformadas em rainhas; pois bem, não foram 10 mas sim 11.
Quadro porta cúpulas com as abelhas a trabalhar nos alvéolos
reais.


Quadro porta cúpulas com 11 alvéolos reais visíveis. 5 na trave
de cima e 6 na trave de baixo.
Por esta altura, destes alvéolos já nasceram as rainhas em núcleos que tinha preparado. Numa rápida verificação que fiz ontem a alguns núcleos, verifiquei que ainda não há postura das novas rainhas. Vou esperar mais uns dias, aguardar que venham dias de sol mais quentes e fazer uma nova verificação.

Entretanto o passatempo continua com a apanha de mais alguns enxames. Desta feita um pequeno enxame no apiário de Vendas Novas. Estava num silvado num local bastante acessível. Foi fácil apanhá-lo para um pequeno núcleo.

Pequeno enxame de abelhas recolhidas nos ramos de um silvado

O mesmo enxame.
 

Enxame já sacudido do ramo para o núcleo.

Neste caso e uma vez que o tempo vai incerto e o enxame é pequeno, coloquei-lhe um quadro com mel no lado esquerdo. Quando as abelhas já estavam praticamente todas recolhidas, completei o núcleo com os quadros que faltavam; ao todo 7 quadros com lâmina de cera.

Por hoje é tudo.
Obrigado por consultar o meu blogue. 


quarta-feira, 4 de abril de 2012

O primeiro grande enxame de 2012

   Na passada 3ª-feira, dia 03 de abril, telefonou-me um colega de trabalho para me dizer que tinha um enxame de abelhas num poste de madeira, na entrada da sua casa. Soube deste meu passatempo e pediu-me que fosse recolher o enxame.
   Como o telefonema ocorreu a meio da tarde e com algumas horas de trabalho ainda pela frente, pensei que chegaria tarde.
   Cheguei a casa do colega por volta das 19:00 para fazer a recolha do enxame. Quando cheguei deparei com este enxame:
Enxame recolhido numa
coluna de madeira.



Enxame recolhido numa
coluna de madeira (lado
inverso)















Um enxame enorme e fácil de recolher.
Equipei-me, preparei a colmeia com 6 quadros com cera puxada e começei o trabalho.
Enxame a passar da coluna de madeira para a colmeia.
Enxame a passar da coluna de madeira para a colmeia
(entrada da colmeia)
Pormenor de algumas abelhas a chamar outras. Expoêm a
glândula de Nasonov e batem as asas por forma a espalhar
o cheiro. 
No fim as abelhas foram quase todas recolhidas, a colmeia foi tapada com a contratampa e preparada para o transporte.
Colmeia com a contratampa fixa por elásticos. Quase pronta
para o transporte. Só falta tapar a entrada com esponja.
E pronto, foi assim: o enxame ganhou casa nova, o meu colega livrou-se destas vizinhas bastante incómodas e eu fiquei com um enxame que, se correr tudo bem, dará uns bons 20Kg de mel.

O meu obrigado ao colega que me chamou para apanhar o enxame e a si por consultar o meu blogue.